Conversas Estratégicas #8 - Usando IA para Desenvolver Cenários
No oitavo episódio de Conversas Estratégicas, Fernando Braga e Silva, Gabriel Rega e Rodrigo Dal Borgo se debruçam sobre uma pergunta inevitável em qualquer conversa sobre o futuro do trabalho: onde a inteligência artificial entra no planejamento por cenários, o que ela faz bem, o que faz mal, e o que simplesmente não deve fazer.
A conversa parte das experiências práticas dos três e converge para uma tese central: a IA é uma excelente ferramenta de escala e agilidade, mas ainda não consegue chegar perto de ser substituta para o processo de reframing e repercepção que justifica a existência da prospectiva. Em outras palavras, ela potencializa a produção, não substitui o pensamento.
Os usos concretos discutidos são variados: Rodrigo relata o uso da IA para gerar histórias e imagens iniciais em projetos-piloto com pouco tempo disponível, inclusive em trabalhos sobre arquétipos de Dator e futuros do sistema de bolsas acadêmicas.
Fernando descreve um leque de alternativas: usa a IA para sintetizar entrevistas, qualificar perguntas, estressar cards de incerteza, gerar mapas de sistema a posteriori, para checar a coerência de histórias construídas pelos grupos, e completar narrativas com atores ou detalhes que tenham escapado.
Gabriel, ressalta a utilidade da IA em tarefas mais analíticas e estruturadas, como sua atuação de economista, onde a previsão (não a prospectiva) se beneficia diretamente da automação e análise de dados.
Outra possibilidade levantada pelos três é lançar mão da IA para produzir vídeos, locuções e narrativas multimídia dos cenários, dando uma escala de comunicação que antes exigia muito esforço de produção e design.
O cerne do episódio está na discussão sobre o que não delegar. Fernando traz a metáfora da musculação cerebral. Pedir à IA para fazer o trabalho de pensar o cenário é equivalente a pedir para alguém ir à academia em seu lugar; o produto pode até chegar pronto, mas o que importava era a transformação no praticante. Gabriel acrescenta a leitura de que estamos todos virando gerentes distantes, delegando cada vez mais e correndo o risco de não entender mais dos assuntos que supostamente deveríamos dominar. Rodrigo traz a analogia do “sparring partner” do boxe (a IA como adversário de treino) e a metáfora do iceberg: a IA tem acesso a tudo que está acima da linha d’água, mas não sobre o conhecimento tácito, a cultura organizacional, as histórias e metáforas vividas pelas pessoas. E é esse material que a prospectiva precisa mobilizar.
O grupo encerra com uma provocação prática e uma reservada para o próximo encontro. Comentam a ideia de rodar a IA como um grupo concorrente em paralelo ao grupo humano em workshops menores, transcrevendo a oficina com Whisper e usando agentes (como a ferramenta Sauna) para gerar incertezas, mapas e histórias em paralelo, criando um efeito de espelhamento estratégico. E completam a geração de ideias com a sugestão de incorporar um participante IA dentro do próprio grupo, oferecendo ideias ao longo da dinâmica, ampliando a diversidade da equipe.
O próximo episódio inverte a chave da conversa: em vez de IA nos cenários, cenários para a IA, ou seja, provocações de futuro sobre o papel da inteligência artificial nos próximos anos, com convidados especialistas no tema.


