Equipes: O que a preparação da NASA para Marte pode ensinar à sua empresa
Provocado pela leitura do especial de Natal da revista The Economist, em que encontrei uma reportagem sobre um projeto da NASA sobre a formação de times de astronautas para viagens de longa duração, tendo em vista o primeiro pouso humano em Marte, decidi escrever este artigo sobre formação de equipes.
As primeiras missões da NASA, com o enfrentamento do desconhecido no que se refere à tecnologia de viagens espaciais e duração mais curta em relação às novas pretensões exigiam um tipo diferente de indivíduo. Requeriam altíssima confiança e sangue-frio (ou narcisismo, arrogância e insensibilidade interpessoal). Quando a duração das viagens começa a ficar mais longa e a comunicação com a Terra mais infrequente, conflitos interpessoais e seu gerenciamento começam a pesar bastante na composição das equipes.
Por isso, a NASA começou a se debruçar mais sobre conflitos nas relações de trabalho e inferiu até agora os seguintes pontos, sendo alguns deles já muito bem estabelecidos na dinâmica empresarial:
O conflito não é necessariamente algo ruim. Times sem conflitos não são necessariamente mais produtivos.
Existe uma causalidade entre felicidade e produção. Parece que não é a felicidade que faz os times produzirem mais, mas times de excelência sentem-se mais felizes. Excelência produz coesão.
Evitar o conflito significa desencorajar a fricção criativa que pode gerar ideias novas ou melhores para a resolução de problemas.
O conflito de ideias é intrinsecamente positivo. Os conflitos são intrinsecamente negativos quando se tornam pessoais.
Do ponto de vista individual, algumas habilidades são necessárias para a boa administração de conflitos. A primeira delas é a habilidade de “ler” o que outras pessoas estão pensando de você (automonitoramento). Assim, é possível adaptar as abordagens, de forma a engajar os colegas de forma produtiva. Pessoas com essa habilidade são tidas como bons colegas de trabalho por seus pares.
A excelência só é obtida com alto senso crítico, que é outra qualidade buscada na formação de times pela NASA. Todavia, sem a capacidade de automonitoramento, essas pessoas de alto senso crítico acabam sendo vistas como um peso na equipe.
Por fim, observou-se que diversas competências da equipe, como pensamento criativo e resolução de problemas, declinaram pela metade nas missões. E isso aconteceu por conta da monotonia das rotinas. Com o baixo nível geral de estímulos – comendo a mesma comida, vendo a mesma paisagem e interagindo com as mesmas pessoas – o desafio é criar formas de instigar e provocar a imaginação dos tripulantes.
Como você tem tratado o conflito na sua organização? Como a rotina do trabalho virtual ou híbrido tem impactado nos estímulos à criatividade de suas equipes? O senso de realização tem sido utilizado como mecanismo de construção de coesão? Que competências você tem buscado para compor suas equipes? O auto-monitoramento faz parte delas?
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