Sinais do Futuro #3 – Futuros redesenhados
Pistas, incertezas, possibilidades. Um olhar curioso para o que pode (ou não) acontecer.
Sinais do Futuro traz indícios de possíveis mudanças que podem gerar múltiplos cenários futuros que impactarão nossas vidas. Não são previsões: são pontos de atenção para decisões mais lúcidas e uma visão crítica sobre a relação entre futuro e presente.
1. As consultorias estão tomando o marketing das agências?
A EY acaba de criar a EY Marketing Services, unidade dedicada a serviços de marketing e experiência do cliente. É mais um movimento das grandes consultorias, como Accenture, Deloitte e PwC, para disputar com as agências de propaganda os orçamentos publicitários dos clientes. Essa iniciativa visa aproveitar as oportunidades trazidas por clientes que exigem integração entre branding, estratégia, dados, tecnologia e performance.
O que pode acontecer:
Fusões entre agências e consultorias devem se intensificar, também no Brasil.
Marketing e estratégia empresarial estarão cada vez mais interconectados.
Pequenas agências poderão se especializar em nichos ou atuar como satélites operacionais de estruturas maiores.
Questões críticas:
Qual o valor que o seu departamento de marketing (incluindo gestores e agências) entrega para a sua empresa?
Sua agência ou sua consultoria estão prontas para concorrer com consultorias que também são agências?
Sua agência ou sua consultoria têm um plano de alianças e cooperações estratégicas com outras consultorias e agências para resistirem a esse tipo de movimento?
2. Trabalho técnico: escasso, sofisticado e cada vez mais valorizado.
Profissões manuais especializadas (soldagem, refrigeração, manutenção industrial, usinagem) estão se tornando mais raras, sofisticadas e, possivelmente, valorizadas. A escassez de mão de obra qualificada é crescente, e os jovens estão cada vez menos inclinados a ocuparem esse tipo de função. Ao mesmo tempo, a incorporação de tecnologia nesses ofícios (automação, sensores, análise de dados) exige uma formação ainda mais específica. A economia “física”, com ocupações não glamourosas, ainda pode render muito dinheiro.
O que pode acontecer:
A disputa por profissionais técnicos qualificados deve se acirrar.
A formação dual (empresa-escolas técnicas) pode ser revalorizada como solução estratégica.
Setores considerados “pouco sexy” voltarão ao radar de investimentos pela rentabilidade e pela falta de bons técnicos que integrem tecnologia às suas entregas.
Questões críticas:
Sua empresa está preparada para um apagão de mão de obra técnica e operacional?
Qual a dependência da sua empresa de funções operacionais?
Qual a estratégia da sua empresa para captação, formação e retenção desses profissionais e prestadores de serviço?
Estratégia exige antecipação, análise crítica e leitura de sinais discretos. Para aprofundar essas reflexões, acesse o blog da Delta Consulting ou conecte-se comigo no LinkedIn.
3. Estamos perto de vencer o plástico?
Avanços recentes na biotecnologia sugerem novas formas de enfrentamento à crise do plástico. Na França, uma bactéria geneticamente modificada foi capaz de transformar resíduos de PET em paracetamol, abrindo caminho para processos industriais de alta conversão. No Japão, pesquisadores desenvolveram um plástico que se dissolve em água do mar em menos de 24 horas.
O que pode acontecer:
Empresas serão pressionadas por seus clientes a adotar novos materiais antes mesmo de exigências legais.
O setor de embalagens pode enfrentar rupturas tecnológicas, logísticas e de custo.
Empresas de todos os setores precisarão estar mais atentas aos avanços tecnológicos de materiais.
Questões críticas:
Sua empresa monitora inovações tecnológicas que impactam insumos-chave do seu negócio?
Sua empresa conhece quais são os insumos de maior impacto ambiental?
Sua empresa está atenta aos avanços tecnológicos que podem tornar esses insumos obsoletos e indesejáveis?
4. A transição energética pode ser turbulenta e desigual?
A cidade escocesa de Aberdeen, fortemente dependente da indústria do petróleo, revela o que muitos países devem enfrentar: uma transição energética desordenada, lenta e cheia de contradições. Apesar dos investimentos e metas ambiciosas do Reino Unido, projetos atrasam, enfrentam rejeição local e dependem de uma força de trabalho que ainda não existe. A “velha energia” ainda sustenta empregos e arrecadação. E não desaparecerá sem custo político e social.
O que pode acontecer:
Regiões economicamente dependentes de combustíveis fósseis podem colapsar sem planos de transição justa, podendo gerar graves impactos sociais.
Conflitos entre projetos de energia renovável e comunidades locais devem aumentar.
Métricas de sucesso energético poderão priorizar viabilidade operacional e impacto social direto, e não apenas indicadores ambientais.
Questões críticas:
Como políticas de transição energética podem impactar a economia local em que sua empresa está inserida?
O foco de sustentabilidade da sua empresa considera as tensões entre os aspectos sociais e ambientais?
Quer explorar como preparar a sua empresa para enfrentar múltiplos futuros possíveis? Me manda um e-mail em fernando@deltaconsulting.com.br.
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