Sinais do Futuro #6 – “Reações Adversas”
Pistas, incertezas, possibilidades. Um olhar curioso para o que pode (ou não) acontecer. Sinais do Futuro traz indícios de possíveis mudanças que podem gerar múltiplos cenários futuros que impactarão nossas vidas.
1. Uso “Desinteligente” da IA
A inteligência artificial já está ajudando na descoberta de novos antibióticos contra superbactérias, segundo pesquisas recentes. No uso pessoal, os novos “agentes” já cancelam assinaturas automaticamente e, em breve, poderão fazer compras em nome do usuário.
Mas, como em toda tecnologia, o ganho de eficiência vem acompanhado de distorções. Um levantamento do MIT mostrou que 77% dos profissionais relataram aumento de carga e queda de produtividade após o uso de IA no trabalho. A causa é o chamado workslop: uso improdutivo da IA, quando tarefas são automatizadas sem propósito claro ou com resultados frágeis, exigindo retrabalho de gestores e profissionais mais experientes.
O que pode acontecer:
Profissionais podem passar mais tempo gerenciando e ajustando prompts ou usando IA para tarefas triviais, gerando uma ilusão de eficiência que não se converte em resultado real.
Parte da força de trabalho se potencializará com IA, especialmente os profissionais mais sêniores, que têm clareza sobre quando e como usar cada ferramenta, enquanto outros ficarão saturados por prompts e microtarefas.
Quem não desenvolver a habilidade de integrar a IA ao raciocínio estratégico pode ser superado por quem, mesmo com menos experiência, dominar essa colaboração.
Questões críticas:
Quais métricas diferenciam a simples adoção da IA da real geração de valor com IA? Como evitar que as equipes caiam na armadilha do workslop?
A sua estratégia de capacitação desenvolve o letramento e o senso crítico para saber quando, como e, principalmente, quando não utilizar a IA?
O protocolo de investimento em IA é baseado em resolver um problema real do negócio ou apenas em seguir a tendência para “não ficar para trás”?
2. Fim da Cervejinha?
Nos Estados Unidos, jovens estão mudando seus programas de lazer por falta de dinheiro, reflexo do alto custo de vida. Mas o movimento também reflete novas escolhas de estilo de vida, com menor consumo de álcool. No Brasil, marcas apostam em bebidas de baixo teor alcoólico, cafés com DJs em festas diurnas ganham espaço, e até na Alemanha a tradição cervejeira começa a perder força.
O que pode acontecer:
Bares, restaurantes e casas noturnas centrados no consumo de álcool podem enfrentar queda de fluxo.
O dinheiro economizado com álcool pode ser redirecionado para outros hábitos de lazer, e não necessariamente poupado.
Espaços que antes não eram centrais na vida social podem ganhar protagonismo como novos pontos de encontro.
Questões críticas:
Se o álcool deixa de ser um forte conector social, o que sua marca oferece para ocupar esse espaço e gerar pertencimento?
Como oferecer experiências atraentes para quem busca socializar com baixo ou zero álcool?
A mudança é econômica, cultural ou ambas? Que novos hábitos podem surgir desse deslocamento?
Estratégia exige antecipação, análise crítica e leitura de sinais discretos. Para aprofundar essas reflexões, acesse o blog da Delta Consulting ou conecte-se comigo no LinkedIn.
3. O poder e a decadência das redes sociais
No Nepal, protestos recentes organizados por conta de regulação das redes sociais levaram à renúncia do primeiro-ministro, um exemplo do seu crescente poder político.
Esse poder das redes se expressa também de outras formas, como o que acontece no processo de enshitification: quando as plataformas pioram deliberadamente seus serviços para extrair o máximo de valor econômico, por exemplo aumentando anúncios, promovendo repetições cansativas por meio dos algoritmos e reduzindo a qualidade das recomendações, sem perder usuários de imediato.
O que pode acontecer:
Governos podem intensificar as tentativas de regulação, criando um ambiente de negócios instável e juridicamente complexo para as marcas que operam nessas plataformas.
À medida que os algoritmos se tornam menos confiáveis e os feeds se enchem de anúncios, a capacidade dos influenciadores de gerar engajamento orgânico pode cair, elevando o custo das parcerias.
Cresce a dependência política das redes como praças públicas, com governos tentando cooptar, regular ou pressionar feeds durante períodos eleitorais e de protesto.
Questões críticas:
Qual é o nível de dependência da sua estratégia de marketing e comunicação em relação a poucas plataformas? Existe um plano para construir canais próprios e escapar da “merdalização”?
Sua equipe está preparada para um cenário em que regras de publicidade, privacidade e liberdade de expressão mudem rapidamente?
Sua estratégia de conteúdo joga o jogo do algoritmo ou cria valor genuíno, que o público buscaria mesmo fora da plataforma?
4. A revalorização do presencial
A pandemia acelerou a digitalização dos relacionamentos. Exemplos disso são Bumble e Tinder, que bateram recordes de uso no período. Mas uma reação está em curso: o contato presencial tem voltado a ser valorizado.
Aplicativos de relacionamento anunciaram cortes de equipe e mudanças de estratégia e liderança, citando queda no engajamento e saturação digital. Empresas retomam entrevistas presenciais e escolas começam a proibir celulares até nos recreios, buscando restaurar vínculos.
O que pode acontecer:
Revalorização de espaços e rituais presenciais: cafés, clubes, coworkings e eventos sem celular tornam-se diferenciais de experiência.
Empresas que operam exclusivamente no virtual podem enfrentar um teto de crescimento se não criarem pontos de contato e experiências físicas que legitimem o vínculo com seus clientes.
Surge o “premium presencial”: consumidores dispostos a pagar mais por experiências com curadoria e mediação humana.
Questões críticas:
Qual é o ponto de equilíbrio entre a eficiência digital e a necessidade de conexão humana?
Como criar experiências significativas que se diferenciem daquilo que pode ser feito virtualmente?
Quais competências sua equipe precisa dominar para transformar encontros presenciais em experiências de valor?
Quer explorar como preparar a sua empresa para enfrentar múltiplos futuros possíveis? Me manda um e-mail em fernando@deltaconsulting.com.br.
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