Sinais do Futuro #16 – A potência cultural chinesa
Você sabe o que é Chinamaxxing?
A ascensão chinesa é um tema muito discutido há pelo menos 20 anos. Desde os anos 80, fala-se que a qualquer momento a decadência econômica virá, agora não é diferente. Enquanto ainda não veio, o país vem aumentando sua zona de influência, se desenvolvendo em tecnologia, melhorando sua imagem e expandindo o seu soft power.
O Made in China deixou de ser sinônimo de bugiganga e de má qualidade e passou a ser referência tecnológica. Isso se expandiu para o digital, culminando no TikTok, uma das maiores redes sociais do mundo, que cresceu a ponto de chegar a ser proibida no Estados Unidos, por razões geopolíticas (e possivelmente por lobby das gigantes americanas).
A partir dessas influências e desmistificações, o estilo de vida chinês tem atraído cada vez mais interesse. Alguns americanos, famosos por criarem referências de estilo de vida (o conhecido American Way of Life) passaram a buscar um estilo de vida chinês, principalmente em questões de rotina, como tomar bebidas quentes e evitar geladas, comer congee, evitar andar descalço e se interessar por práticas como acupuntura, tendo esses hábitos apelidados de Chinamaxxing.
É evidente que isso representa uma quebra de paradigmas, afinal, a distância física, cultural e linguística ainda é muito grande. E mais do que isso, o estilo de vida como um todo é distante. A título de exemplo, enquanto países ocidentais discutem reduções de jornadas de trabalho, na China a proteção social é baixa e a cultura de trabalho é intensa, com a maior carga de trabalho semanal entre as grandes economias.
Por outro lado, a cultura do Leste Asiático como um todo está mais relevante, como indicam o cinema e a música da Coreia do Sul. O Japão, que é um destaque há mais tempo, com certeza traz lições importantes para a China (e para o mundo), apesar da rivalidade histórica entre os países. Questões como envelhecimento populacional, tecnologia no dia a dia, relação com o Ocidente e a própria estagnação do crescimento (e suas estratégias de combate) podem dar um norte sobre o que fazer. Assim, o caldeirão cultural fervilhante e a História do Leste Asiático podem reduzir essa distância.
Com tudo isso, o Chinamaxxing é evidência de mudanças geopolíticas e culturais, em que caminhamos para um novo mundo multipolar. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para que de fato a China supere desconfianças, estabeleça parcerias e consolide seu soft power.
O que é interessante analisar é que há 15 ou 20 anos atrás a simples discussão sobre a possibilidade da China como referência cultural para o ocidente pudesse ser vista como impossível, o que reforça como esses fatores podem mudar mais rápido do que podemos imaginar. Esse fenômeno também demonstra a importância de compreender o país, para o hoje e para o futuro.
Quer explorar como preparar a sua organização para múltiplos futuros possíveis? Me manda um e-mail em fernando@deltaconsulting.com.br.
Para não perder atualizações, acompanhe novas reflexões também em meu perfil no LinkedIn.



