Sinais do Futuro #9 — Desafios em Rede
Pistas, incertezas, possibilidades. Um olhar curioso para o que pode (ou não) acontecer. Sinais do Futuro traz indícios de possíveis mudanças que podem gerar múltiplos cenários futuros que impactarão nossas vidas.
O quão frágil é a infraestrutura digital?
Estamos cada vez mais dependentes de sistemas eletrônicos e isso pode trazer efeitos negativos claros. Uma falha no sistema de nuvem da Amazon gerou pane em diversos sistemas no mundo todo, de pequenos negócios a grandes empresas.
No Reino Unido, uma empresa com 158 anos e mais de 700 funcionários encerrou suas atividades após sofrer um ataque hacker. Os hackers cobraram mais de 3 milhões de libras para devolver as operações.
O que pode acontecer:
Uma falha em um único provedor pode paralisar ecossistemas inteiros de negócios simultaneamente. Empresas lucrativas podem quebrar por serem repentinamente desligadas.
Dados podem se perder ou ficar inacessíveis por semanas, afetando faturamento, cobranças e até gerando disputas jurídicas.
Rotinas que mantenham materiais e dados críticos em ambientes offline podem se tornar essenciais.
Questões críticas:
Qual é o plano da sua empresa se ficar algum sistema fora do ar? Em quanto tempo e de que forma ela voltaria à operação?
Sua empresa consegue armazenar dados importantes mantendo baixa exposição ou operar dependendo pouco de outros sistemas eletrônicos?
Qual o custo de uma hora de paralisação total da empresa? O seu investimento em cibersegurança é proporcional a esse número?
Sustentabilidade como valor?
A cultura da sustentabilidade parece estar cada vez mais consolidada. Nos EUA e Canadá, 37% dos consumidores já desistiram de comprar um produto por achar que era uma embalagem pouco sustentável. Na Europa, esse número é 42%.
Entre viajantes, 84% consideram a sustentabilidade importante. Isso está mudando até mesmo a forma como hotéis oferecem o café da manhã, com vários estabelecimentos, inclusive os de alto luxo, saindo do formato buffet para o serviço à la carte.
O que pode acontecer:
Modelos de negócio baseados na abundância visual, como buffets instagramáveis ou fast fashion podem enfrentar uma crise de imagem.
Implementação de sistemas de pesagem de resíduos se espalhando e metas públicas de redução de desperdício.
Processos e multas por alegações vagas de sustentabilidade, com certificações reconhecidamente sérias ganhando valor.
Questões críticas:
Como provar alegações ambientais e blindar a marca de greenwashing?
Como manter o nível de experiência reduzindo desperdícios?
Existe algum ponto do seu negócio que pode virar alvo de pressão do consumidor por maior sustentabilidade?
Estratégia exige antecipação, análise crítica e leitura de sinais discretos. Para aprofundar essas reflexões, acesse o blog da Delta Consulting ou conecte-se comigo no LinkedIn.
Novos formatos para evolução profissional?
Os choques geracionais se intensificam no mercado de trabalho. Agora, somam-se a isso os efeitos da IA, que dificulta a entrada de recém-formados e cria dúvidas sobre como surgirão os futuros líderes experientes.
Para driblar filtros automatizados, candidatos já usam comandos escondidos nos currículos, tentando “enganar” as próprias IAs usadas no recrutamento.
O que pode acontecer:
A automação das tarefas de entrada pode criar uma geração de profissionais que nunca teve a chance de aprender fazendo o básico. Com isso, as empresas podem enfrentar escassez de gerentes e líderes num horizonte próximo.
De um lado, empresas usando IAs para filtrar currículos, do outro, candidatos usando outras IAs e comandos escondidos para burlar os filtros. O mérito se perde no meio dessa confusão.
Os jovens podem abandonar a ideia da escada corporativa tradicional, tornando-se freelancers em ferramentas de IA e só entrando nas empresas em cargos de especialista, criando vácuos na base e nos níveis gerenciais das empresas.
Questões críticas:
Se as oportunidades de parte da formação “em serviço” desparecerem com a IA, qual o plano para desenvolver os líderes do amanhã?
Como engajar e reter os novos talentos em um momento de tantas incertezas profissionais?
Seu recrutamento está realmente encontrando os melhores talentos, ou apenas os melhores em escrever para as máquinas?
Influência regulada?
O poder de influência das redes chama cada vez mais atenção, sendo utilizado como arma política para tentativas golpistas e veículo de propagação de ideias e protestos (muitos deles bem sucedidos).
Com isso, cresce também a busca das pessoas em se tornarem influenciadores: existe até escola para influencers no Brasil. No entanto, também cresce a pressão para que haja responsabilização pelo que é dito por esses profissionais. Na China, tornou-se obrigatório ter credenciais para falar sobre certos temas.
O que pode acontecer:
O setor pode se dividir: influenciadores de entretenimento, com baixa regulação, e influenciadores de autoridade, tratados com o mesmo rigor de veículos de imprensa.
Marcas podem evitar associação a humanos por medo de responsabilização jurídica, preferindo avatares de IA totalmente controláveis.
O medo de responsabilização legal pode gerar autocensura. O conteúdo, mesmo de lifestyle, pode se tornar roteirizado, matando a autenticidade e originalidade que fez esse mercado surgir.
Questões críticas:
Ao contratar um influenciador o seu processo de verificação se baseia apenas em engajamento e “fit” de imagem ou já inclui análise de risco?
Quais as ameaças (e oportunidades) para o seu negócio se houver um grande aumento na regulação de mídias sociais e influenciadores?
Como trabalhar as diferenças entre opinião, recomendação e aconselhamento?
Quer explorar como preparar a sua empresa para enfrentar múltiplos futuros possíveis? Me manda um e-mail em fernando@deltaconsulting.com.br.
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