Um Método Diferente, Estimulante e Efetivo para Integrar Equipes
Scenario Planning como campo de prática para integração de equipes.
Integrar equipe de forma prática e efetiva, com processos duradouros é bastante desafiador. Grande parte das práticas corporativas de integração passa por atividades lúdicas, que constroem um momento e geram reflexões, mas que não geram efeitos sustentáveis e cumulativos ao longo do tempo.
Além disso, o exercício de integração é complexo: exige tanto o desenvolvimento de habilidades individuais nas pessoas quanto de práticas coletivas no time. Para conseguir esses resultados, precisamos de uma prática guiada, ou seja, um exercício prático supervisionado. E o quanto mais esse exercício for próximo da realidade dos participantes, melhor.
Isso pode ocorrer de duas formas: com dinâmicas e métodos que tratem o que efetivamente está acontecendo na organização ou com discussões em que os participantes não se sintam tão expostos e com o “dedo na ferida”. Tratar o que está acontecendo é bastante útil e eu mesmo tenho um vasto histórico com meus clientes de conduzir integração de grupos desta forma. Mas muitas vezes, o gestor não quer exacerbar conflitos e prefere tratar isso de uma forma mais leve. E é possível trabalhar integração de forma leve e efetiva com scenario planning.
Trabalhar com cenários futuros é um desafio exigente e estimulante que exercita as habilidades de cooperação, comunicação, escuta ativa, gestão de conflitos, negociação e pensamento sistêmico, essenciais à integração de grupos. É um exercício prático, que tem a ver com a realidade do grupo e, ao mesmo tempo, é suficientemente distante para não exacerbar conflitos já existentes. E ainda proporciona a oportunidade de as pessoas cooperarem e verem outro lado dos colegas que não conheciam.
Discutir o futuro que a organização poderá enfrentar oferece exatamente esse campo: desafiador, estimulante e com forte senso de utilidade prática. A equipe exercita as habilidades necessárias à integração e produz algo que a organização precisa: uma visão honesta e compartilhada sobre as incertezas que vão moldar o negócio. E ainda dá a oportunidade de fazer observações sobre a equipe (de forma coletiva e individual) que o dia a dia da operação raramente possibilita.
E ao construir coletivamente narrativas sobre futuros plausíveis, cada pessoa precisa tornar explícitas as suas premissas sobre o futuro. Isso compartilha conhecimento e dá espaço para pessoas falarem sobre temas interessantes e intrigantes (que você talvez não esperasse). Mas também pode fazer emergir visões antagônicas. E um bom exercício de cenários não precisa resolver o antagonismo entre as visões, mas explorar e aprofundar o entendimento dessas lógicas adversárias. Isso exige que as pessoas se escutem e que façam boas perguntas para entrar no raciocínio do outro, mesmo que discordem.
Com isso, também são construídos conteúdos, conhecimento e uma linguagem para falar sobre múltiplos futuros, fazendo a organização se preparar para mundos distintos, sem precisar apostar num único cenário oficial.
Mas isso não quer dizer que só se constrói por “agregação” nesse exercício: conflitos e priorização coletiva são necessários. Negociação é necessária. A discussão sobre tendências e incertezas críticas, com uma consequente construção de cenários exige escolhas: quais tendências priorizar, quais incertezas são realmente críticas, como montar histórias coerentes a partir de variáveis que apontam em direções opostas.
O que torna esse exercício produtivo e leve é que os conflitos gerados não carregam o peso de um problema imediato. Discutir variáveis externas e mudanças de papéis e atitude dos stakeholders é uma negociação estimulante, não ameaçadora. A equipe pratica gestão de conflito e negociação num ambiente em que o custo do erro é muito baixo, mas o tema é genuinamente relevante para o futuro do negócio.
E é isso que diferencia o uso de scenario planning como ferramenta de integração das dinâmicas convencionais de desenvolvimento de equipes: o campo de prática é real. Não se trata de uma simulação com cenário fictício e de analogias forçadas (isso para não falar daquelas “dinâmicas” constrangedoras...). As tendências discutidas, as incertezas mapeadas e as decisões estratégicas que emergem dos cenários têm impacto direto sobre o presente da organização.
A sua equipe tem explorado o futuro de forma estruturada? Ou as discussões sobre estratégia têm se concentrado, na prática, em planos operacionais e ciclos anuais de revisão?
Quer explorar como preparar a sua organização para múltiplos futuros possíveis? Me manda um e-mail em fernando@deltaconsulting.com.br.
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